Robb Flynn do Machine Head relembra Jeff Hanneman em seu blog.





Robb Flynn guitarrista/vocalista do MACHINE HEAD, comentou o falecimento do também guitarrista Jeff Hanneman do SLAYER  Jeff faleceu por volta de 11:00 da manhã (03/04), perto de sua casa no sul da Califórnia. Hanneman estava em um hospital da área quando sofreu insuficiência hepática.

Em seu blog “The General Journals: Diary Of A Frontman... And Other Ramblings – Life Affirming”, Flyn escreveu: “Ainda não acredito que Jeff Hanneman está morto. Coisas assim não acontecem. Thrashers não morrem. Que diabos!!??”

“Não vou sentar aqui e dizer como ele e eu éramos melhores amigos ou algo assim; nós definitivamente não éramos e eu mal nos chamaria de conhecidos. Eu fiz 8 turnês e mais de 120 shows com o cara e honestamente, eu nunca cheguei a “conhecê-lo” de verdade. Eu sempre fui próximo de Kerry [King]. Jeff era super quieto, ficava calado, mas ficava meio turbulento quando bebia, mas ainda um pouco indiferente, e parecia incomodado com as pessoas festejando ao seu redor, sem contar o fato que ele próprio sempre se encontrava muito bêbado.”

“Eu posso lembrar algumas vezes que conversamos, porém. A primeira foi em Basel, na Suíca, em novembro de 1994, quando o MACHINE HEAD estava dando suporte ao SLAYER na turnê ‘Divine Intervention’. Foi um daqueles shows onde algo aleatório acontece e você jamais esquece. Neste caso, o show foi patrocinado pelos cigarros Chesterfield e todo mundo que entrasse no show ganhava duas cartelas de cigarro. EU nunca vi tanta fumaça em minha vida. Eu lembro de entrar no palco e gritar para nosso roadie/faz-tudo, Mike Scum: ‘Cara, desliga essa maldita máquina de fumaça’. Ele disse: ‘Cara, isso não é máquina de fumaça, bro, são os cigarros!’. Era quase impossível de se respirar no palco.”

“Após o show, nós estávamos descansando nos bastidores e Jeff entrou, nós começamos a reclamar deste show de cigarros louco, e ele me convidou para o camarim para pegar uma cerveja. Nós nos sentamos e conversamos um pouco, e então eu entrei em um modo SLAYER-nerd e comecei a perguntá-lo sobre as músicas que escreveu.”

Eu: “Quem escreveu ‘Angel Of Death’?”
Jeff: “Eu”.
Eu: “As letras também?”
Jeff: “Sim”.
Eu: “Raining Blood?”
Jeff: “Sim.”
Eu:”Dead Skin Mask”?
Jeff: “É…”
Eu: “South OF Heaven?”
Jeff: “Eu.”
Eu: “Black Magic?”
Jeff: “Você sabe…”
Eu: “Hell Awaits”?
Jeff: “Sim.”

“E nós continuávamos sem parar. Este cara escreveu tanto a música quanto as letras de uma grande porção das minhas músicas favoritas do SLAYER  Ele foi uma grande influência em minha própria composição, em particular nos arranjos e nas mudanças de tom. [...]”

“Outra boa memória, foi dividir um ônibus de turnê na Austrália/Coreia /Japão em 2001. Nós dividíamos equipe, gerente de turnê e agente, então todos andavam no mesmo ônibus. Do aeroporto para o hotel todos os dias. Algumas vezes estas viagens demoravam uma hora ou duas, então só falávamos merda e sentávamos lá. Uma vez um garoto correu até o ônibus onde estávamos sentados, mortos de bêbados após uma festa. Ele estava desesperado pelos autógrafos e chegou até o ônibus gritando (o que mais?) ‘SLAAAAAAAAAYYYYYYEEEEERRRR!!!!’ Ele então me viu e ficou todo: ‘Oh, merda, Robb Flynn, cara, eu AMO o MACHINE HEAD  mas é o maldito SLAAAAAAAAAYYYYYYEEEEERRRR. Eu olhei para ele bem nos olhos e gritei meio embolado: ‘Porra, com certeza!!’. Hanneman quase morreu. Ele riu por uns 10 minutos direto, rachou o bico, aquela risada boba, alta e feminina que ele sempre teve.”

“A última lembrança que vou compartilhar é da perna americana da turnê ‘Divine Intervention’, em março de 1995. Era o SLAYER, BIOHAZARD como suporte e o MACHINE HEAD na abertura. Nós estávamos tocando no International Ballroom em Atlanta. Ele esteve de fora de algumas músicas do ‘Divine’, o que foi estranho para mim. Nós estávamos relaxando no camarim antes do show, só nós dois, e eu consegui juntar a coragem para perguntá-lo qual era o motivo disso tudo. No começo ele brincou, dizendo que não queria aprender as músicas, que não gostou, que Kerry as escreveu. Ele estava rindo e então, de repente, parou. Ele olhou para baixo, ficou sério. Ele disse que tinha muitas dores em seus pulsos. Suas mãos e pulsos estavam dormentes toda hora, e ficavam dormentes durante as músicas, porque elas eram bem rápidas, e então ele começou a chorar. Foi uma confissão assustadora. Eu ofereci alguns estranhos comentários de melhoras, mas ele continuou a chorar, e eu então decidi sentar lá em silêncio com ele por uns minutos. Ele me deu um abraço e disse: ‘Whoa!’, e riu. Virou-se para o palco e disse: ‘Obrigado, cara’.”

“Foi um momento intenso, um dos raros que você tem com alguém, imagine alguém de outra banda.”

“Isso me fez realmente respeitar esse cara.”

“Esse é o Jeff que vou lembrar.”

“Para Kerry, Tom, Dave, Paul, Rick Sales Mgmt e a família de Jeff, minhas mais sinceras condolências.”

“Descanse em paz, irmão.”

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